"Quem" é apenas a forma que antecede a função do "Quê", e o que eu sou é uma grande mistura de todas as minhas experiências, sendo elas mais ou menos agradáveis, mas eu sou isso mesmo: toda a educação que recebi, acontecimentos que presenciei, livros que li, filmes que vi, músicas que ouvi, e amigos que fiz... sou o resultado da minha vivência pedagógica, e, também uma vítima da sociedade e da Vox Populi.
Porém, como resultado que sou, não sou um resultado constante. A vida não pára, logo, a fórmula altera-se e apenas posso dizer quem fui.
Cada atitude ou decisão que tomo (como escrever os meus pensamentos neste texto) alteram o "meu eu". Ao pensar assim, o que eu sou torna-se como que um produto inevitável do destino, pois não sou eu que escolho quem eu quero ser, embora possa tentar e, algumas vezes conseguir.
Todos nós, agentes racionais, conscientes do mundo, e conscientes de nós próprios, nos preocupamos pelo menos uma vez na vida em tentar perceber se estamos sujeitos a este destino. É uma pergunta de difícil resposta, mas, creio que possa dizer que sou quem sou através de uma sequência de causas (tão simples como, por exemplo, o local do meu nascimento), sem a possibilidade de escolher livremente.
E então? Quem sou eu? Um ser vivo em constante moldagem: tudo o que me acontece e tudo o que eu quero que aconteça não é realmente resultado do meu poder-de-escolha, mas sim resultado de um conjunto de condições e restrições (externas/internas; físicas/mentais) a que estou sujeito e de que não me consigo livrar de maneira alguma...
Quem vou ser eu? Bem, apenas me resta esperar para ver o que tenho reservado, e não posso julgar tal como fiz com o meu passado.
Acho assustador que a ideia do meu "eu" esteja sob a responsabilidade de tudo o que me envolve, afinal, só posso escolher uma "parte". Não seria bom poder escolher o "caminho" que gostaria de percorrer? Não. Seria impossível, é uma responsabilidade que apenas cabe ao Deus de cada um.
Eu sou...sou uma tentativa. A tentativa de sempre percorrer o caminho mais certo, sem razões para me matar devido à loucura de perceber que não tenho escolha para quem quero ser.