11.12.08

A poesia e eu

"Aí que prazer não cumprir um dever/ Ter um livro para ler e não o fazer", Fernando Pessoa, poema Liberdade. Embora admire o brilhantismo de Pessoa em tudo o que escreveu, gosto particularmente do poema que acima referi. É simples, o que leva à sua complexidade, concreto sem deixar de denotar a subjectividade própria do poeta, é do dia-a-dia, embora ninguém conseguisse explicá-lo de forma tão concisa e delicada.Penso que é esta a beleza da poesia: o ser paradoxal, de carácter universal, o permitir várias interpretações, o deixar perdido quem acha que sempre esteve certo, e dar esperança àquele que nunca parece ser encontrado. Se repararmos, quando se fala em poesia, rapidamente até a prosa se torna poética: é contagiante.Outro facto que adoro nesta forma de expressão escrita é a linha ténue que a separa do absurdo, do obsceno, da pirosada, da estupidez. Esta característica fá-la logo, a meu ver, a melhor forma de exprimirmos o insólito que, em verdade, é o nosso quotidiano.Tenho pena que num país como Portugal, berço de poetas, a poesia seja desvalorizada e pouco praticada. Sim, porque mesmo quem nasce com veia de poeta, tem de nela pôr sangue a circular.Assim, digo que antes de gostar de poesia, é preciso aprender a gostar. Espero que esta prosa sobre poesia seja assim um estímulo, um meio, para atingir o fim: a capacidade de admirar e ler poesia, simplesmente porque sim!

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